Fidel, 1926-2016

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Pelo que fui hoje lendo e ouvindo na informação ao serviço dos interesses instalados, fiquei com a pungente e convicta impressão de que saiu um Homem do nosso meio.

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Trumpismo ou como os conservadores se baldam

O trumpismo também pode ser visto como uma nuvem de fumo, semelhante a muitas outras criadas ao longo dos últimos decénios pelos neoconservadores dos EUA, para iludir a opinião pública. Enquanto se especula sobre o trumpismo, os conservadores moderados, e envergonhados de Trump mas sempre seus cumplices, vão-se rarefazendo na opinião pública, camuflando o seu comprometimento com as posições xenófobas, racistas e discriminatórias do seu novíssimo presidente.

De certo modo pode-se comparar o lançamento do conceito de trumpismo hoje com o surgimento da expressão do „politicamente correcto“ há trinta anos. O politicamente correcto, essa originalidade neocon, serviu às mil maravilhas para inibir e coagir a liberdade de expressão, ao mesmo tempo que os crimes neoliberais aumentaram assustadoramente. Enquanto o lobbyismo, a corrupção, as privatizações de bens públicos, as guerras assassinas e os lucros estratoféricos se tornaram o pão nosso de cada dia, as camadas sociais mais desfavorecidas, vítimas do assalto selvagem neoliberal, foram entretidas com o „politicamente correcto“.

Os conservadores estadunidenses, que acolhem e amamentam as figuras mais nefandas do Tea Party e abjectas do Ku Klux Klan, acocoram-se agora atrás de Trump e lançam o trumpismo para melhor poderem passar despercebidos. Enquanto se discute as bojardas reaccionárias de Trump e à sua custa se lança a fumaça do „trumpismo“, como antes fizeram com o linguajar politicamente correcto, bancos, consórcios, investidores e especuladores vão enchendo o saco. Quem não os conhecer que os compre.

Trumpismo como exercício de preguiça mental

O conceito já está de pé mas o seu conteúdo ainda não tem contornos. Fala-se de „trumpismo“ mas o fenómeno ainda é uma coisa difusa e disforme. Não passa de uma amálgama rudimentar de slogans de propaganda eleitoral, desejos lidos nos lábios trémulos de consumidores de reality shows, ameaças fanfarronas de celebridades tristes para consumidores no Facebook. O trumpismo como aí está tem tanta consistência como as sondagens que davam Hillary Clinton, desde o primeiro dia da campanha eleitoral, como a grande presidente dos EUA.

Trump ganhou e o trumpismo foi criado como papão. Um papão encenado por agentes políticos da ordem estabelecida, jornalistas corporativos e activistas das redes sociais. Na falta de ideias precisas e sólidas, o trumpismo é apresentado como uma versão americana do fascismo europeu. Há também quem o veja como uma variante populista, uma forma estragada ou aziumada da democracia. Outros querem ver no trumpismo um movimento post-truth, pós-verdade, onde os factos deixaram de ter qualquer importância, dando lugar a sentimentos, impressões, afectos e instintos. O trumpismo, se algum dia vingar, talvez venha a ter um bocado de tudo, de momento, porém, não passa de um trambolho.

Seja como for, a burguesia financeira não sabe como capitalizar os seus lucros num sistema económico saturado e a ameaçar ruir, pondo em causa os seus interesses e privilégios. Daí recorrer a todos os estratagemas para se manter no poder, iludindo e manipulando as camadas sociais que estão na base da democracia. O trumpismo nesta fase não passa de uma expressão da preguiça mental dos seus agitadores. Talvez fosse mais acertado falar de „Obamismo“, dele sabemos ao menos que foi um fenómeno muito risonho que serviu maravilhosamente o terrorismo e a desestabilização política no mundo.