O jornalismo puro e virgem perante a falta de credibilidade

Depois

  • de embalar no paleio dos especuladores no processo de salvação dos bancos;
  • de se comprometer até às orelhas nas guerras ilegais do grande Ocidente;
  • de se masturbar com as macabras revoluções coloridas nos países árabes;
  • de alinhar no histerismo policiesco do terrorismo islamista;
  • de gritar possesso nos exorcismos de diabolização de Putin;
  • de cavalgar a grande onda de calúnias sobre a guerra na Síria…

Depois da orgia e do deboche, o jornalismo cândido e virgem anda assarapantado com fakes e a falta de credibilidade. Dá gosto vê-lo agora de cócoras à procura da verdade.

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Angola, meu amor!

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Como se lida com um país riquíssimo em recursos naturais, empastado em corrupção, esmagado por um poder autocrático? Que fazer quando a filha do presidente tem os seus tentáculos bem grudados em alguns dos pilares da economia portuguesa?

Um povo irmão sangra em África. Mas é do irmão europeu que se espera um grande tacto e sensibilidade para ajudar o irmão prostrado no chão africano. A barbárie colonial do recente passado comum juntou e marcou ambos os irmãos. Quando se encontram, reconhece-se um na dor e na cicatriz do outro.

Grandes deverão ser as artes do irmão europeu para contornar a corrupção autocrata e fazer chegar a ajuda ao irmão africano. Que efeito teria o aviso do náufrago sobre a insensatez de um timoneiro autocrata à frente do povo naufragado?

— “Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C’uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!
“ (1)

——
(1) Luís de Camões, Lusíadas, Canto IV, 95

Gentinha sem ideologia

Gente fabulosa que escreve sem pensar porque não tem ideias. Tem apenas umas luzinhas de nada que a ilumina por galerias negras só acessíveis a instintos de toupeira. A consciência desta gentinha é uma tábua rasa para pasmo de quem a lê vociferando contra ministros de que não gosta, contra partidos que odeia, contra pessoas que calunia. E tanto desgosto, ódio e insulto saem do nada da sua consciência, do vazio da sua falta de ideologia.

Ou será que a sua ideologia feita da falta de ideias é apenas de inspiração divina, soprada por uma qualquer divindade maligna, que aos olhos do homem se transubstancia em ignorância e crassa estupidez?

RTP: Estaline para quê?

É o incómodo graúdo,
Serve Estaline para tudo.
A besta testa a indigência,
O fascista a inteligência.

Porque nisto de crime e perseguição,
Será que não houve Inquisição,
Colonização,
Ou o beato de Comba Dão?

Mas porque nos mostra a direita o sarronco,
Em vez de limpar o seu próprio monco?