Já me estão outra vez a atirar areia para os olhos!

Tema: “grandes violências”

Vamos lá, toca a discutir o caso #MeToo em força e com todos os condimentos! Mas fechem a porta que os bancos, os consórcios e os investidores estão a contar os lucros.

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As marcas que a espuma dos dias deixa

Espuma-quase dos dias

Marcas de espuma, de uma espuma muito especial, espuma do tempo. Espuma da vida, assim é que devia ser. Mesmo assim, vida também não diz muito sobre a espuma. Põe-nos quando muito a pensar no que seja. Teríamos de falar do que fazemos e voltamos a fazer, dizemos e voltamos a dizer, captamos pelos sentidos e voltamos a captar.

Desaparece a espuma e a sua marca lá fica. A marca que nos vai marcando, formando, in-formando, deformando. Marcados pelos nadas insignificantes do quotidiano, passem o paradoxo e o pleonasmo em toda a sua semântica. Marca-nos o que aceitamos e marca-nos o que recusamos. E o que aceitamos hoje é o sinal de uma marca antes aceite e o que recusamos hoje é sinal de uma contrariedade anterior. O puzzle das nossas ideias constrói-se com as marcas deixadas pela espuma dos dias da nossa vida vivida. E se hoje lhes chamamos cliques ou likes, pouco ficamos a saber sobre a forma e a qualidade da nova espuma. A marca que fica, do que fica, é que conta.

Das „pragas“ e os seus eucaliptos

 eucaliptos

Hoje é ponto assente que o eucalipto é uma “praga”. Mas pior que a „praga“ do eucalipto é a „praga“ do lobbyismo, a „praga“ do lucro sem pesar os danos, a „praga“ das privatizações, a „praga“ do Estado ao serviço de interesses particulares, a „praga“ do desleixo, a „praga“ da ignorância, a „praga“ do não-querer-saber, a „praga“ da cobardia.

A „praga“ do eucalipto coroa uma série infinda de „pragas“ que foram sendo paulatinamente instaladas durante dezenas e dezenas de anos na consciência da sociedade portuguesa.

E da „praga“ do eucalipto resulta a „praga“ dos incêndios, a „praga“ da degradação dos solos, a „praga“ da destruição e abandono da agricultura, a „praga“ do despovoamento de zonas cada vez mais vastas do território nacional, a „praga“ da entrega do litoral à especulação desbragada, a „praga“ do vigarismo e da hipocrisia dos políticos no poder, a „praga“ da corrupção, a „praga“ da submissão dos interesses do povo português a interesses de consórcios internacionais virados para o lucro fácil e rápido sem qualquer interesse num desenvolvimento sustentável.

 „Pragas“ que alimentam a „praga“ do eucalipto, de uma forma ou de outra redundam noutras „pragas“ ainda mais resistentes, numa espiral diabólica e numa dinâmica alucinante, deixando o português-trabalhador sem saber bem quem é, nem o que para si de facto conta.

No fim de contas não é só o eucalipto-árvore que se multiplica na mata mas também o eucalipto-homem que invade a sociedade portuguesa protagonizando a „praga“ do individualismo, a „praga“ do oportunismo mais sórdido, a „praga“ do sucesso venal. E são todas estas castas de eucaliptos que, ardendo com grande facilidade, estão a deixar toda uma sociedade enfarruscada.

O grande forrobodó

De uma penada futebol e Rússia. O grande forrobodó para o jornalismo português. Uma festança farta-brutos. O fútil de braço dado com a ignorância e o preconceito e, do majestoso coctail, doses industriais. Fina-se o pavio da arenga futebolística, avança-se pelos sólidos e sórdidos fios da calúnia, do preconceito e da ignorância política. Das habilidades pedíbolas de Ronaldo pula-se para as ideias malignas de Putin.

Os fanáticos das sanções estão apreensivos. Os promotores do ódio e da guerra estão a postos para espalhar o seu veneno e aproveitar o momento para qualquer provocação. Grande o medo da paz e da amizade entre os povos, pois onde elas reinam não se vendem armas.

Até que enfim, futebol!

Os energúmenos de Alcochete, o Bruno, a imprensa com informação de grande qualidade e utilidade até chegar c’o dedo. O Sporting assunto de Estado. Finalmente um assunto sério para pôr a cabeça dos políticos em água e fazer esquecer essas ninharias de precários, salários ignóbeis, bancos falidos, gestores e ministros corruptos, incêndios, eucaliptos, interior deserto. Finalmente um assunto que os portugueses conhecem como a palma da sua mão e do qual podem falar com a autoridade de sumidades na matéria. A imprensa informa tintim por tintim, o Bruno em sílaba e em pisca-olho, atletas de cabeça rachada, a caça aos terroristas dos balneários, o Marcelo em busca do melhor afecto, beijo ou palavrinha doce?, o espectador de lágrima no canto do olho, „não se faz uma coisa dessas“, o Bruno anjo vingador não se demite, „não se faz uma coisas dessas“, temos futebol ou circo? „não se faz uma coisa dessas“!