Importunar

Já não há tempo nem pachorra para pensar, aprofundar, diferenciar. Tudo o que vá além do preconceito e da ideia feita acaba assim por importunar. Na verdade é o incómodo de pensar que a todo o custo queremos evitar.

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„Inteligência artificial“

Há algo de impertinente na expressão „inteligência artificial“. Uma gritante contradição está lá instalada. Sendo inteligência, não é artificial; é artificial, não é inteligência. Apenas ao beneficiário último destas máquinas „inteligentes“ convém difamar e humilhar a inteligência real, pois só esta lhe consome um bom bocado das margens de lucro.

Chamar inteligência a umas quantas habilidades sofisticadas e programadas é ousado. E um insulto! O que virá a seguir? A consciência artificial?

Orçamento 2018: A inspiração dos afectos

Como nas grandes obras de arte, o quadro está perfeito e nada tem que se lhe diga, mas só aquela pintinha escura, deixada pela malfadada mosca no obscuro canto inferior esquerdo do caixilho, é que é destacada e objecto de grandes considerações estéticas. Um jornalismo fino, muito bem pintalgado de afectos!

Como se sabe o conhecimento exige que se faça um bom trabalho prévio de ampla divulgação de ignorância.

Ter razão é bom – uma solução é sempre melhor

As meninas do Bloco com a sua contribuição das renováveis para o orçamento têm razão. Mesmo muita razão. No Parlamento, a menina Mortágua falou que aquilo foi um primor. Aquela linguagem rigorosa, clara e irrefutável dos números não deixou dúvidas a ninguém. Aquele destaque para a falta à palavra por parte dos deputados do PS, aquele roer da corda sem escrúpulos, como a menina Mortágua falou bem e cheia de razão!

Mesmo assim…

Fosse eu assaltante de bancos não gostaria de ter as meninas do Bloco como parceiras. Eu aliviado por ter arrombado a porta do banco e já as meninas iriam a correr para o bar, abrir com grande estardalhaço uma garrafa de champanhe. Sentir-me-ia exactamente como o primeiro-ministro, „momentaneamente cansado“ mas „com ganas“, que é como quem diz, de mandar as meninas para aquele sítio que não se diz por extenso.

Ter razão não basta. Quando muito, a razão é a porta de entrada para a abordagem do problema. Quer dizer, a solução do problema ainda nem começou. As meninas a fazer grande alarido e o quebra-cabeças mais bicudo que nunca. O orçamento na fase da treta, mas na práctica, na realidade da sua execução, é que ele se consuma e até lá ainda vai passar muita água por baixo da ponte. Apesar da seca.

Por estas e por outras é que este esquerdismo, esta mania de que se é de esquerda, dá cabo de mim. Nestas coisas os comunistas são mais precatados e recatados e assim é que deve ser. Um estardalhaço destes só espanta a caça. Mais uma vez os Tavares de todos os feitios sairam de todos os buracos a aplaudir. Não seria razão para estar de pé atrás?

Para desopilar do jornalismo „isabel-monteiro“

Uma menina muito querida entra numa loja de animais.

– „Queria um coelhinho!“ – diz, sorrindo, para o dono da loja.

O comerciante:

– „Ó meu amor, tenho aqui este, muito bonito, castanhinho, de olhos grandes e doces; e tenho este, branquinho, pêlo muito macio, uma ternurinha.“

 A pequena:

– „Não sei, mas para a minha pitón deve ser igual.“