O grande forrobodó

De uma penada futebol e Rússia. O grande forrobodó para o jornalismo português. Uma festança farta-brutos. O fútil de braço dado com a ignorância e o preconceito e, do majestoso coctail, doses industriais. Fina-se o pavio da arenga futebolística, avança-se pelos sólidos e sórdidos fios da calúnia, do preconceito e da ignorância política. Das habilidades pedíbolas de Ronaldo pula-se para as ideias malignas de Putin.

Os fanáticos das sanções estão apreensivos. Os promotores do ódio e da guerra estão a postos para espalhar o seu veneno e aproveitar o momento para qualquer provocação. Grande o medo da paz e da amizade entre os povos, pois onde elas reinam não se vendem armas.

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Deus e os portugueses

Que „Deus fala com os portugueses todos os dias“ não há dúvida nenhuma. Bom seria se falasse um bocadinho mais alto.

Até que enfim, futebol!

Os energúmenos de Alcochete, o Bruno, a imprensa com informação de grande qualidade e utilidade até chegar c’o dedo. O Sporting assunto de Estado. Finalmente um assunto sério para pôr a cabeça dos políticos em água e fazer esquecer essas ninharias de precários, salários ignóbeis, bancos falidos, gestores e ministros corruptos, incêndios, eucaliptos, interior deserto. Finalmente um assunto que os portugueses conhecem como a palma da sua mão e do qual podem falar com a autoridade de sumidades na matéria. A imprensa informa tintim por tintim, o Bruno em sílaba e em pisca-olho, atletas de cabeça rachada, a caça aos terroristas dos balneários, o Marcelo em busca do melhor afecto, beijo ou palavrinha doce?, o espectador de lágrima no canto do olho, „não se faz uma coisa dessas“, o Bruno anjo vingador não se demite, „não se faz uma coisas dessas“, temos futebol ou circo? „não se faz uma coisa dessas“!

„As pessoas não querem trabalhar“

O que se apropria do excedente do trabalho alheio é difícil de saciar. Quem para ele trabalha, por muito que faça, é sempre pouco. Ou pura e simplesmente é acusado de não querer trabalhar. A acusação ecoa ao longo de toda a História da humanidade. Os escravos construtores das pirâmides egípcias eram chicoteados por não quererem trabalhar. Os senhores das terras e dos palácios na antiga Grécia e na velha Roma maltratavam e matavam os seus escravos porque estes, do seu ponto de vista, não queriam trabalhar. Os negreiros portugueses, negociantes em mão-de-obra africana para as plantações no Brasil, matavam e esfolavam só de imaginar que o escravo podia não querer trabalhar. O empresário de hoje continua a afirmar a pé juntos que o criador da sua riqueza não quer trabalhar.

Atendendo às condições dominantes, o escravo bem terá as suas boas razões para não querer trabalhar. Mas que humana, nobre e sublime razão invocará o negreiro para o expropriar?