PSD: Combate de titãs

Forças da natureza em combate sísmico. Um Montenegro contra um Rio.

Tire-se o PSD do doce aconchego do poder, não faltam os títeres candidatos a titãs.

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Não há mesmo extrema-direita em Portugal?

Como se ela fosse um gambozino! No espelho há quem se veja nitidamente como de esquerda, mas para a extrema-direita na sociedade portuguesa seja completamente pitosga. De onde virão essas ideias que o Observador põe a circular e que são adoptadas e amplificadas por muito boa gente do PSD, do CDS e mesmo do PS, acabando glosadas por jornalistas e comentadores nos auto-proclamados orgãos de referência?

O fascismo salazarista português tinha elementos demasiado arcaicos. Daí talvez as dificuldades da actual extrema-direita portuguesa em os decantar e deles fazer um programa novo e atractivo para o português moderno. Mesmo o fascismo internacional em marcha, produto do capitalismo de fachada neoliberal, também ainda não encontrou a sua forma acabada, pela qual, no fim de contas, se procurará orientar a extrema-direita nacional.

As manipulações e selecções políticas na comunicação social, a censura e auto-censura jornalística, a propaganda descarada da violência e da guerra, a diabolização de políticos internacionais, são ferramentas típicas da extrema-direita e do fascismo.

A afirmação de que não existe extrema-direita em Portugal é feita com grande facilidade. Pode ser resultado de grande ingenuidade. Ora, isto não impede que seja vista como uma imperdoável leviandade.

As marcas que a espuma dos dias deixa

Espuma-quase dos dias

Marcas de espuma, de uma espuma muito especial, espuma do tempo. Espuma da vida, assim é que devia ser. Mesmo assim, vida também não diz muito sobre a espuma. Põe-nos quando muito a pensar no que seja. Teríamos de falar do que fazemos e voltamos a fazer, dizemos e voltamos a dizer, captamos pelos sentidos e voltamos a captar.

Desaparece a espuma e a sua marca lá fica. A marca que nos vai marcando, formando, in-formando, deformando. Marcados pelos nadas insignificantes do quotidiano, passem o paradoxo e o pleonasmo em toda a sua semântica. Marca-nos o que aceitamos e marca-nos o que recusamos. E o que aceitamos hoje é o sinal de uma marca antes aceite e o que recusamos hoje é sinal de uma contrariedade anterior. O puzzle das nossas ideias constrói-se com as marcas deixadas pela espuma dos dias da nossa vida vivida. E se hoje lhes chamamos cliques ou likes, pouco ficamos a saber sobre a forma e a qualidade da nova espuma. A marca que fica, do que fica, é que conta.

Das „pragas“ e os seus eucaliptos

 eucaliptos

Hoje é ponto assente que o eucalipto é uma “praga”. Mas pior que a „praga“ do eucalipto é a „praga“ do lobbyismo, a „praga“ do lucro sem pesar os danos, a „praga“ das privatizações, a „praga“ do Estado ao serviço de interesses particulares, a „praga“ do desleixo, a „praga“ da ignorância, a „praga“ do não-querer-saber, a „praga“ da cobardia.

A „praga“ do eucalipto coroa uma série infinda de „pragas“ que foram sendo paulatinamente instaladas durante dezenas e dezenas de anos na consciência da sociedade portuguesa.

E da „praga“ do eucalipto resulta a „praga“ dos incêndios, a „praga“ da degradação dos solos, a „praga“ da destruição e abandono da agricultura, a „praga“ do despovoamento de zonas cada vez mais vastas do território nacional, a „praga“ da entrega do litoral à especulação desbragada, a „praga“ do vigarismo e da hipocrisia dos políticos no poder, a „praga“ da corrupção, a „praga“ da submissão dos interesses do povo português a interesses de consórcios internacionais virados para o lucro fácil e rápido sem qualquer interesse num desenvolvimento sustentável.

 „Pragas“ que alimentam a „praga“ do eucalipto, de uma forma ou de outra redundam noutras „pragas“ ainda mais resistentes, numa espiral diabólica e numa dinâmica alucinante, deixando o português-trabalhador sem saber bem quem é, nem o que para si de facto conta.

No fim de contas não é só o eucalipto-árvore que se multiplica na mata mas também o eucalipto-homem que invade a sociedade portuguesa protagonizando a „praga“ do individualismo, a „praga“ do oportunismo mais sórdido, a „praga“ do sucesso venal. E são todas estas castas de eucaliptos que, ardendo com grande facilidade, estão a deixar toda uma sociedade enfarruscada.

O grande forrobodó

De uma penada futebol e Rússia. O grande forrobodó para o jornalismo português. Uma festança farta-brutos. O fútil de braço dado com a ignorância e o preconceito e, do majestoso coctail, doses industriais. Fina-se o pavio da arenga futebolística, avança-se pelos sólidos e sórdidos fios da calúnia, do preconceito e da ignorância política. Das habilidades pedíbolas de Ronaldo pula-se para as ideias malignas de Putin.

Os fanáticos das sanções estão apreensivos. Os promotores do ódio e da guerra estão a postos para espalhar o seu veneno e aproveitar o momento para qualquer provocação. Grande o medo da paz e da amizade entre os povos, pois onde elas reinam não se vendem armas.