Recado ao presidente de todos os coitadinhos

„A essência da democracia não é a popularidade.“ (José Pacheco Pereira)

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Salvé, César! Toma lá e embrulha!

„Quando se está bem acompanhado, não se muda de companhia.“ Disse-lhe o Costa do fundo da sua arena.  Nas suas conversas mediáticas César nunca escondeu as suas fraquezas pelas forças minoritárias do dinheiro e da especulação contra as forças maioritárias do trabalho e do desenvolvimento. Ouve os murmúrios sedutores do Rio e aí o temos embalado pela arenga conservadora. César não é um Ulisses. Não pede aos trabalhadores do PS que o amarrem quando as sereias do grande capital estão a uivar para fazer naufragar a economia do país.

Não é que Costa seja um grande Ulisses. Pelo menos é mais atinado.

Importunar

Já não há tempo nem pachorra para pensar, aprofundar, diferenciar. Tudo o que vá além do preconceito e da ideia feita acaba assim por importunar. Na verdade é o incómodo de pensar que a todo o custo queremos evitar.

Ter razão é bom – uma solução é sempre melhor

As meninas do Bloco com a sua contribuição das renováveis para o orçamento têm razão. Mesmo muita razão. No Parlamento, a menina Mortágua falou que aquilo foi um primor. Aquela linguagem rigorosa, clara e irrefutável dos números não deixou dúvidas a ninguém. Aquele destaque para a falta à palavra por parte dos deputados do PS, aquele roer da corda sem escrúpulos, como a menina Mortágua falou bem e cheia de razão!

Mesmo assim…

Fosse eu assaltante de bancos não gostaria de ter as meninas do Bloco como parceiras. Eu aliviado por ter arrombado a porta do banco e já as meninas iriam a correr para o bar, abrir com grande estardalhaço uma garrafa de champanhe. Sentir-me-ia exactamente como o primeiro-ministro, „momentaneamente cansado“ mas „com ganas“, que é como quem diz, de mandar as meninas para aquele sítio que não se diz por extenso.

Ter razão não basta. Quando muito, a razão é a porta de entrada para a abordagem do problema. Quer dizer, a solução do problema ainda nem começou. As meninas a fazer grande alarido e o quebra-cabeças mais bicudo que nunca. O orçamento na fase da treta, mas na práctica, na realidade da sua execução, é que ele se consuma e até lá ainda vai passar muita água por baixo da ponte. Apesar da seca.

Por estas e por outras é que este esquerdismo, esta mania de que se é de esquerda, dá cabo de mim. Nestas coisas os comunistas são mais precatados e recatados e assim é que deve ser. Um estardalhaço destes só espanta a caça. Mais uma vez os Tavares de todos os feitios sairam de todos os buracos a aplaudir. Não seria razão para estar de pé atrás?

Incêndios: Malhar é enquanto o ferro está quente

Lembra José Pacheco Pereira:

lobbies poderosos na área dos incêndios, dos madeireiros às grandes empresas de celulose, aos bombeiros e toda a panóplia de negócios à volta do fogo, uma das áreas em que se conhecem casos concretos de corrupção, nepotismo e tráfico de influências. Não são segredo para ninguém.

Mas este aspecto citado num site alemão é ainda mais flagrante:

 „Em 2014,  sob o governo conservador, o empobrecido país do sul da Europa (Portugal, n.t.), que só conseguiu disponibilizar para o combate aos incêndios 70 milhões de euros e mais 20 milhões para a sua prevenção – tem um orçamento militar de 2,1 mil milhões de euros.“