PSD: Combate de titãs

Forças da natureza em combate sísmico. Um Montenegro contra um Rio.

Tire-se o PSD do doce aconchego do poder, não faltam os títeres candidatos a titãs.

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Não há mesmo extrema-direita em Portugal?

Como se ela fosse um gambozino! No espelho há quem se veja nitidamente como de esquerda, mas para a extrema-direita na sociedade portuguesa seja completamente pitosga. De onde virão essas ideias que o Observador põe a circular e que são adoptadas e amplificadas por muito boa gente do PSD, do CDS e mesmo do PS, acabando glosadas por jornalistas e comentadores nos auto-proclamados orgãos de referência?

O fascismo salazarista português tinha elementos demasiado arcaicos. Daí talvez as dificuldades da actual extrema-direita portuguesa em os decantar e deles fazer um programa novo e atractivo para o português moderno. Mesmo o fascismo internacional em marcha, produto do capitalismo de fachada neoliberal, também ainda não encontrou a sua forma acabada, pela qual, no fim de contas, se procurará orientar a extrema-direita nacional.

As manipulações e selecções políticas na comunicação social, a censura e auto-censura jornalística, a propaganda descarada da violência e da guerra, a diabolização de políticos internacionais, são ferramentas típicas da extrema-direita e do fascismo.

A afirmação de que não existe extrema-direita em Portugal é feita com grande facilidade. Pode ser resultado de grande ingenuidade. Ora, isto não impede que seja vista como uma imperdoável leviandade.

O grande forrobodó

De uma penada futebol e Rússia. O grande forrobodó para o jornalismo português. Uma festança farta-brutos. O fútil de braço dado com a ignorância e o preconceito e, do majestoso coctail, doses industriais. Fina-se o pavio da arenga futebolística, avança-se pelos sólidos e sórdidos fios da calúnia, do preconceito e da ignorância política. Das habilidades pedíbolas de Ronaldo pula-se para as ideias malignas de Putin.

Os fanáticos das sanções estão apreensivos. Os promotores do ódio e da guerra estão a postos para espalhar o seu veneno e aproveitar o momento para qualquer provocação. Grande o medo da paz e da amizade entre os povos, pois onde elas reinam não se vendem armas.

Salvé, César! Toma lá e embrulha!

„Quando se está bem acompanhado, não se muda de companhia.“ Disse-lhe o Costa do fundo da sua arena.  Nas suas conversas mediáticas César nunca escondeu as suas fraquezas pelas forças minoritárias do dinheiro e da especulação contra as forças maioritárias do trabalho e do desenvolvimento. Ouve os murmúrios sedutores do Rio e aí o temos embalado pela arenga conservadora. César não é um Ulisses. Não pede aos trabalhadores do PS que o amarrem quando as sereias do grande capital estão a uivar para fazer naufragar a economia do país.

Não é que Costa seja um grande Ulisses. Pelo menos é mais atinado.

Importunar

Já não há tempo nem pachorra para pensar, aprofundar, diferenciar. Tudo o que vá além do preconceito e da ideia feita acaba assim por importunar. Na verdade é o incómodo de pensar que a todo o custo queremos evitar.

Ter razão é bom – uma solução é sempre melhor

As meninas do Bloco com a sua contribuição das renováveis para o orçamento têm razão. Mesmo muita razão. No Parlamento, a menina Mortágua falou que aquilo foi um primor. Aquela linguagem rigorosa, clara e irrefutável dos números não deixou dúvidas a ninguém. Aquele destaque para a falta à palavra por parte dos deputados do PS, aquele roer da corda sem escrúpulos, como a menina Mortágua falou bem e cheia de razão!

Mesmo assim…

Fosse eu assaltante de bancos não gostaria de ter as meninas do Bloco como parceiras. Eu aliviado por ter arrombado a porta do banco e já as meninas iriam a correr para o bar, abrir com grande estardalhaço uma garrafa de champanhe. Sentir-me-ia exactamente como o primeiro-ministro, „momentaneamente cansado“ mas „com ganas“, que é como quem diz, de mandar as meninas para aquele sítio que não se diz por extenso.

Ter razão não basta. Quando muito, a razão é a porta de entrada para a abordagem do problema. Quer dizer, a solução do problema ainda nem começou. As meninas a fazer grande alarido e o quebra-cabeças mais bicudo que nunca. O orçamento na fase da treta, mas na práctica, na realidade da sua execução, é que ele se consuma e até lá ainda vai passar muita água por baixo da ponte. Apesar da seca.

Por estas e por outras é que este esquerdismo, esta mania de que se é de esquerda, dá cabo de mim. Nestas coisas os comunistas são mais precatados e recatados e assim é que deve ser. Um estardalhaço destes só espanta a caça. Mais uma vez os Tavares de todos os feitios sairam de todos os buracos a aplaudir. Não seria razão para estar de pé atrás?