Até que enfim, futebol!

Os energúmenos de Alcochete, o Bruno, a imprensa com informação de grande qualidade e utilidade até chegar c’o dedo. O Sporting assunto de Estado. Finalmente um assunto sério para pôr a cabeça dos políticos em água e fazer esquecer essas ninharias de precários, salários ignóbeis, bancos falidos, gestores e ministros corruptos, incêndios, eucaliptos, interior deserto. Finalmente um assunto que os portugueses conhecem como a palma da sua mão e do qual podem falar com a autoridade de sumidades na matéria. A imprensa informa tintim por tintim, o Bruno em sílaba e em pisca-olho, atletas de cabeça rachada, a caça aos terroristas dos balneários, o Marcelo em busca do melhor afecto, beijo ou palavrinha doce?, o espectador de lágrima no canto do olho, „não se faz uma coisa dessas“, o Bruno anjo vingador não se demite, „não se faz uma coisas dessas“, temos futebol ou circo? „não se faz uma coisa dessas“!

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Meghan & Harry

Que as mulheres desejam príncipes está nos contos de fadas. Que os príncipes gostam de mulheres está na sua natureza humana.

„As pessoas não querem trabalhar“

O que se apropria do excedente do trabalho alheio é difícil de saciar. Quem para ele trabalha, por muito que faça, é sempre pouco. Ou pura e simplesmente é acusado de não querer trabalhar. A acusação ecoa ao longo de toda a História da humanidade. Os escravos construtores das pirâmides egípcias eram chicoteados por não quererem trabalhar. Os senhores das terras e dos palácios na antiga Grécia e na velha Roma maltratavam e matavam os seus escravos porque estes, do seu ponto de vista, não queriam trabalhar. Os negreiros portugueses, negociantes em mão-de-obra africana para as plantações no Brasil, matavam e esfolavam só de imaginar que o escravo podia não querer trabalhar. O empresário de hoje continua a afirmar a pé juntos que o criador da sua riqueza não quer trabalhar.

Atendendo às condições dominantes, o escravo bem terá as suas boas razões para não querer trabalhar. Mas que humana, nobre e sublime razão invocará o negreiro para o expropriar?

A esquerda também faz milagres

E dos melhores, mais lindos e mais proveitosos milagres, milagres económicos, daqueles que enchem os bolsos das pessoas e lhes dá oportunidade de melhorar a sua vida. Louvado seja o Altíssimo! Ou o Santíssimo?

Fiquemos cá por baixo, pelas forças terrenas, pelo trabalho dos homens, das portuguesas e dos portugueses, pela pertinaz clarividência dos comunistas, pelo apoio dos bloquistas e pelas faixas mais sociais e generosas do PS. 

Isto é, enquanto o PS se ligar à esquerda há milagres. Vira-se para o Rio, vai tudo por água abaixo.

Este estilo de vida, a grande flatulência

No fundo de nós mesmos, por qualquer inquietude, apercebemo-nos de que este life style com os seus extravagantes paneleirismos não passa de uma enorme flatulência. Aquela imensa e desagradável bolha artificial de gases inúteis que toma conta do nosso quotidiano e que impede a circulação e troca de experiências, convivências, actividades ricas e saudáveis. Facebooks, Instagrams, whatsapps, youtubes, smartfones, likes, roubam-nos de tal modo o tempo que nem tempo temos para respirar fundo, saborear um bom petisco, sentir os pés no chão durante um bom passeio. Já nem falo de pensar, pois isso só nos torna chatos, senão mesmo suspeitos.

Que alguém fale das suas flatulências e nos diga do palco e na cara que as andamos a aplaudir merece aplausos a dobrar e com todo o vigor.