„As pessoas não querem trabalhar“

O que se apropria do excedente do trabalho alheio é difícil de saciar. Quem para ele trabalha, por muito que faça, é sempre pouco. Ou pura e simplesmente é acusado de não querer trabalhar. A acusação ecoa ao longo de toda a História da humanidade. Os escravos construtores das pirâmides egípcias eram chicoteados por não quererem trabalhar. Os senhores das terras e dos palácios na antiga Grécia e na velha Roma maltratavam e matavam os seus escravos porque estes, do seu ponto de vista, não queriam trabalhar. Os negreiros portugueses, negociantes em mão-de-obra africana para as plantações no Brasil, matavam e esfolavam só de imaginar que o escravo podia não querer trabalhar. O empresário de hoje continua a afirmar a pé juntos que o criador da sua riqueza não quer trabalhar.

Atendendo às condições dominantes, o escravo bem terá as suas boas razões para não querer trabalhar. Mas que humana, nobre e sublime razão invocará o negreiro para o expropriar?

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