Bocage e o „assassino“

Bocage

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Naquele tempo a alta sociedade organizava grandes festas. Numa dessas festas famosas uma senhora muito conhecida e muito estimada, por ligeiro descuido, largou um traque. Ao ruído indiscreto, muitas pessoas se viraram. A senhora, muito vermelha, sorriu envergonhada e, afastando-se, foi procurar o célebre Bocage. Contou-lhe o desagradável descuido, o poeta prestou-se a ajudá-la. Subiu para uma cadeira, bateu duas, três palmas, pediu a generosa atenção aos presentes e declarou:

– Estimados senhoras e senhores, o peido que aquela senhora deu… não foi ela, fui eu.

Dois séculos depois, a grande Fox News dos gloriosos Estados Unidos, país cuja grandeza foi construída à custa da escravatura, destruição de culturas de muitos povos nativos, invasões de outros países soberanos, saque de recursos naturais de outros povos e assassínio sem escrúpulos de milhões de seres humanos por esse mundo fora, numa entrevista ao seu novo presidente, aponta o dedo ao presidente russo e apelida-o de „Killer“, assassino. Também a Fox News, representante da Great América, está a precisar do seu Bocage:

– Estimada comunidade mundial, dos meus milhões de crimes e assassínios não me culpem a mim… mas o senhor Putin.

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One thought on “Bocage e o „assassino“

  1. “…Estados Unidos, país cuja grandeza foi construída à custa da escravatura, destruição de culturas de muitos povos nativos…”
    Depois desta tirada só te falta zurrar…
    São estes os nossos intelectuais !

    Nascimento

    Gostar

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