O „atraso português“ e o português atrasado

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O „atraso português“ dava para encher umas boas enciclopédias. Nelas não encontraríamos quaisquer manifestações do atraso português, mas tudo o que há séculos vem sendo escrito sobre o tema.

São muitos os portugueses que gostam de falar e escrever sobre o „atraso português“. Admito que sabem do que estão a falar, isto é, que sabem em que consiste e como se manifesta o „atraso português“. A consciência do atraso implica também uma ideia do progresso que por assim dizer lhe serve de paradigma.

Para os pensadores do atraso português o paradigma, a bitola, está no “avanço” de certos países estrangeiros. Comparam, medem e chegam invariavelmente sempre à mesma conclusão: temos menos, somos piores, estamos atrasados. Os pensadores do atraso português especializaram-se de tal modo na sua matéria que ao estímulo „português“ logo salivam „atraso“. É fatal.

A ideia do „atraso português“ tem a sua expressão real e concreta no português atrasado. Se é no homem português que está o busílis, também só nele pode estar a solução. O homem português não começa nas queixosas e autodenominadas elites, tão preocupadas com o „atraso português“ e bem instaladas em quaisquer instituições, começa sim no homem real, simples e concreto, nesse que trabalha e vive do seu trabalho. É ele a célula elementar de todas as elites, instituições, regimes e nações.

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